IVb) Experiência Imaginativa como destino da Estética

Dutton sugere (não reconhece) que há um critério mais igual do que os demais: a experiência imaginativa emerge como o destino (a ambição) da Estética (e da Arte).

…working out the differences in bearing that the items have on the artistic character of any object or performance is exactly what philosophical aesthetics ought try to achieve.” [p.376]

Na verdade, aparenta ser esta a esta condição, aliada à natureza tautológica do sistema proposto, que se introduz como mecanismo superador da síntese hegeliana e da espiral socrática.

IVa) A Definição Naturalista da Arte

Dutton defende a sua lista como uma (a) definição da arte.

Reclama a universalidade essencialista e total dos CR, rejeitando a classificação da sua proposta como teoria sectorial (Gaut; Davies).  Esta definição poderá, eventualmente, ser empiricamente aperfeiçoada (quantidade, número), mas não epistemologicamente revista (qualidade, essência).

…an object that possessed not a single feature on the list would not be a work of art, while an object that possessed all twelve of my features certainly would be.” [p.375]

Os CR definem o centro do objecto de Estética. Este centro enriquece as margens e aos enriquecer estas enriquece o centro. É um sistema tautológico. Existirá sempre lugar para as margens e estas, por mais marginais que sejam, nunca colocarão em causa o território consensualizado (por Dutton) antes o fortalecendo.

…the institution of artworld simply  proclaims a disputed object in or out. Recognition criteria make debate about borderline cases much more rich and rewarding. (…) To fault the list because it does not decisively sort out every hard case is to wish that aesthetics not have hard, marginal, or borderline cases at all. As this will never be so, the best aesthetic theory is one hat acknowledges it.“[p.375]

IIIb) Propriedade Estética da Arte

Para Dutton, a existência de arte, a existência de propriedade estética numa dada produção deriva da verificação, coexistência e correlação dos CR.

“I reject…that possessing aesthethc properties is something that might be added to the list. To the contrary, it is the combination of the other items on the list…”

IIIa) Território Fundacional da Arte

Dutton invoca a necessidade (não a faculdade) de identificação entre os CR e o território fundacional da Arte e, consequentemente, da Estética e de identificação destas através daqueles.

Os CR constituem as características empíricas da Arte (e da Estética) porque constituem as características empíricas da respectiva realidade (do respectivo objecto).

The recognition criteria tell us what we already know about art.” [p. 373]

A Estética não pode ficar pelo reconhecimento. Todavia, Dutton argumenta que só depois do reconhecimento se podem operar as categorias diferenciadoras e críticas, as distinções. Só depois de reconhecido o território se podem tratar as suas marcas.

Authencity is an issue that arises in art only after an object or performance has already been identified as putatively artistic in type or intent.”

II) Proposição de uma Condição Empírica para a Estética

Dutton define 12 “Critérios de Reconhecimento” [CR] para identificação do território de acção da Estética, para identificação da arte.

Os 12 CR constituem a essência epistemológica definidora e diferenciadora da Estética, desenhando com precisão o respectivo campo empírico. Consequentemente, são susceptíveis de revisão empírica, mas não epistemológica, pois, conjuntamente, constroem as fundações neutras necessárias à especulação.

My list therefore offers itself for correction through clarification, exchange of items, augmentation, or reduction. (…) these criteria purport to ofer a neutral basis for theoretical speculation.” [p.368]

Os 12 CR permitirão à Estética suprir a sua principal limitação e alcançar uma abordagem interperspectivada da arte.

When we talk about art, we sometimes focus on on acts of creation, sometimes on the objects created, at other times we refer more to the experience of these objects. (…) The list is therefore the signal characteristics of art considered as a universal, cross-cultural category.“[p.369]

Ia) Proposição de fundação espistemológica naturalista da Estética

Estética refém de uma atitude epistemológica paradoxal:

- acesso a um amplo conhecimento (em termos espaciais e temporais);

- exercício de uma análise dotada de enormes graus de especificidade.

Ambição de revelação do Universo da Arte através da análise minuciosa das respectivas margens.

…how odd that philosophical speculation about art has been inclined toward endless analysys of an infinitesimally small class of cases.” [p. 368]

Este paradoxo é avaliado por Dutton como colocando a Estética num território improcedente em termos epistemológicos, narrativos e de finalidades.

Esta condição não é operativa nem para a proposição de sínteses hegelianas, nem para o surgimento de interrogações contributivas para a espiral socrática, e ainda menos para uma eventual conciliação de ambas as ambições.

Necessidade de identificar a natureza da Arte [objecto da Estética]; conceptual, territorial, metodológica [epistemológica] e empíricamente.

Dutton propõe a fundação epistemológica naturalista da Estética.

What philosophy of art needs is an approach that begins by treating art as a field of activities, objects and experience given naturally in human life.” [p. 368]

Ia) Condição Contextual da Estética

“Aesthetic theories may claim universality, but they are normally conditioned by the aesthetic issues and debates of their own times” [p.367]

Dutton recusa a dimensão universal da Estética enquanto disciplina filosófica. Estabelece a respectiva [a)] dimensão contextual, dependente e ampliada pela(o)s [b) (p) referências (tes) autorais e pela insuficiência filosófica da [c] retórica lógica e sintática.

Posicionamento epistemológico actual da disciplina limita a respectiva ambição transconceptual. Mais operativo para a produção de uma síntese de tipo hegeliana do que para a alimentação de uma espiral socrática.

“A Naturalist Definition of Art”; Denis Dutton; 2006 in “The Journal of Aesthetics and Art Criticism”, Vol. 64, nº3, Verão 2006

FBAUP

Curso de 2º Ciclo [Mestrado] em Estudos Artísticos – Especialização em Teoria e Crítica da Arte (Ed. 2007/2009)

Unidade Curricular: Estética

Docente: Helder Gomes

Estudante: Lino Miguel Teixeira

A Naturalist Definition of Art; Denis Dutton; 2006 in The Journal of Aethetics and Art Criticism, Vol. 64, nº3, Verão 2006